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Jan 31

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Como é que a acupunctura pode contribuir para evitar a depressão?

Como é que a acupunctura pode contribuir para evitar a depressão?

A Acupunctura faz parte dum sistema holístico de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), cada órgão está associado a um meridiano que nos percorre na superfície do corpo e por sua vez a uma emoção/sentimento. Para a MTC, e na realidade, não há uma separação entre mente e o corpo e sabemos especificamente, passados milhares de anos de observação, que qualquer estado psicológico ou emocional está associado a um desequilíbrio energético de um órgão específico.

No caso da depressão muitas vezes associada a grande tristeza, falta de vontade e força para encarar o dia-a-dia, temos um desequilíbrio do órgão Pulmão e Baço. Num caso avançado da depressão pode também desenvolver fobias e medos que remetem a um desequilíbrio da energia do Rim. Felizmente através dos pontos energéticos do meridiano associado a este órgão conseguimos facilmente regular a energia dos mesmos.

Em Portugal já há esta percepção?

Sim, cada vez mais! É um dos casos mais comuns que tratamos. Não existe nenhum dia que não tenhamos vários casos de depressão a serem atendidos na nossa clínica. Alguns procuram-nos através de amigos ou familiares que já cá estiveram e que finalmente ultrapassaram a situação, outros procuram-nos porque já experimentar tudo e mais alguma coisa e estão fartos de tomar remédios e psicoterapias anos após anos que nalguns casos até pode dar algumas melhoras nos sintomas, mas acaba por criar uma dependência dos remédios e decidem procurar um método que dê mais liberdade e recuperação verdadeira, sem viver o resto da vida com esta sombra.

 

As pessoas já procuram mais terapias chinesas? Se não, o que ainda falta?

Já procuram muito mais, desde há 20 anos atrás quando eu cheguei cá [Dra.Chen]. Na altura para explicar o que fazia era necessário fazer-se um “percurso”, hoje em dia a grande maioria das pessoas já sabe o que é a acupunctura.

Existem cerca de cem mil praticantes de medicina chinesa na Europa e mais de 50% da população europeia já recorreu às medicinas complementares.

 

De acordo com um estudo recente, divulgado pelo Centro de Terapias Chinesas, existe a chamada Depressão Natalícia, que se estende até ao Ano novo. Em que é que a crise veio prejudicar estes estados depressivos?

Uma crise como a que vivemos tem tudo para piorar os quadros clínicos de depressão. Não só o stress a que as pessoas são submetidas, com receios e angústias constantes – medo do desemprego, preocupação com familiares, amigos, etc… – mas o facto de gerar situações que potenciam as emoções mais ligadas a este estado: sensações de culpa, quebra da autoestima e sensação de que não valemos nada, de que não há futuro e nada faz sentido. Aliás, basta ver o impacto duma crise como esta nas estatísticas do suicídio, que aumenta muito em anos de crise.

Qual a distância que vai da depressão ao suicídio? Quais os principais sintomas que mostram que uma pessoa está no limite (para que os amigos e familiares estejam atentos)?

Existem muitos sintomas-tipo que mostram a existência de um quadro depressivo, alguns dos quais já mencionámos na questão anterior. Alguns são mentais – sentirmo-nos constantemente inúteis, que não temos futuro, nem perspectivas e que isso será sempre assim, falta de concentração ou vontade de fazer coisas, tudo isto evoluindo para sintomas de desespero e pensamentos de morte ou suicídio – e muitos outros mais físicos – insónias constantes, cansaço permanente e falta de energia geral, problemas a nível do funcionamento sexual, variações de peso muito súbitas. Claro que a grande maioria das pessoas não evoluirão em direcção ao sucídio, que continua a ser felizmente, uma ocorrência rara. Mas a depressão pode acarretar muitas outras consequências, não só para aquele que está deprimido, mas para aqueles que o rodeiam, pelo que é importante estar atento. Variações muito muito fortes de personalidade e comportamento são um dos principais sinais de alerta a que devemos estar atentos. E não nos devemos esquecer que é muito frequente nos homens ser menos fácil de fazer diagnóstico, e os casos serem normalmente mais graves do que aparentam.
Quais as principais razões que levam as pessoas a procurar a acupunctura em Portugal?

Só podemos falar do CTC e da realidade que lá observamos. Tratamos um pouco de tudo, ao longo dos anos, pelo nosso constante esforço de educação dos nossos pacientes e pelo boca-a-orelha natural quando os resultados são bons, acabamos por tratar um pouco de tudo. Mas possivelmente os problemas mais comuns que nos aparecem aqui são os seguintes, não necessariamente por ordem de importância. Depressão e stress, gestão da ansiedade, todo o génerod e quadro deste tipo, incluindo fobias e ataques de pânico, etc… Problemas musculares de todos os tipos,d esde as simples entorses ou torcicolos até rupturas musculares, recuperação de lesões, etc… Problemas de circulação são também muito comuns, com tratamentos a pernas inchadas, varizes, pernas cansadas, edema e assim por diante incluindo questões de estética. E finalmente, somos muito conhecidos pelos tratamentos ao tabagismo e também pelo nosso programa de emagrecimento, que tem resultados muito bons.
Ainda há um grande cepticismo da medicina ocidental face à medicina tradicional chinesa? Ou há cada vez mais médicos ocidentais a acreditar nesta terapia? Como reagem normalmente?

A situação mudou muito de há 20 anos para cá. Naquela altura, era raro encontrar um médico português que acreditasse na MTC; hoje, temos mesmo muitos pacientes que nos chegam enviados pelos próprios médicos de família ou especialistas, que como já viram resultados com alguns pacientes, tendem a enviar-nos mais. Por exemplo, há uma série de médicos que já viram excelentes resultados do CTC para tratamento de hérnias discais, e nos enviam pacientes que normalmente seriam encaminhados para cirurgias, para tentar evitar esssas mesmas cirurgias. Com todos os benefícios para o sistema de saúde ao nível de custos! Há também médicos que já nos mandam os seus pacientes de cancro, para tratar e gerir os efeitos secundários dos tratamentos mais agressivos, de quimio ou radioterapia.

Mas a maioria dos médicos ainda não sabe bem tudo o que a MTC pode tratar, e claro… continua a existir muito cepticismo e mesmo oposição em muitos médicos.
Quais as grandes vantagens da medicina tradicional chinesa face à oriental? Existem estudos que revelem isso mesmo com casos reais?

A MTC leva grande vantagem na questão da prevenção e da manutenção da saúde em geral. Porque trabalha na fronteira entre o que é emoção e mente, e o que é matéria e corpo, consegue muitas vezes reverter problemas antes que eles se tornem mais graves. A MTC vê o corpo/mente no seu todo, e os médicos de MTC muitas vezes dão-se conta de que problemas que aparentemente não têm a ver um com o outro, estão de facto ligados, porque a dada altura na vida do paciente algum desequilíbrio surgiu que se propagou a outros orgãos ou sistemas, e anos mais tarde pode surgir uma doença grave. Costumamos também dizer por esse motivo que a MTC se preocupa mais “com a causa profunda dos problemas, do que com os sintomas”. É muito comum na medicina ocidental que a única coisa que seja proposta ao paciente seja uma maneira de gerir, p.ex. as dores. Isso é importante claro, a queixa principal do paciente são as dores e é disso que ele se quer livrar. Mas se não olharmos mais fundo, as dores vão voltar – ou nunca vão desaparecer realmente, apenas serão tapadas por anti-inflamatórios ou analgésicos – e o paciente pode ficar dependente dos fármacos que lhe receitaram, ou nunca recuperar uma qualidade de vida normal. Este é apenas um exemplo, mas ilustra bem alguma da diferença conceptual entre os dois tipos de medicina.

Por definição, a prevenção é difícil de controlar, já que ela consiste na ausência de sintomas ou problemas! Só conseguimos medir bem os tratamentos uma vez que os problemas e doenças se manifestaram. A Organização Mundial de Saúde, por exemplo, mantém uma lista de doenças a tratar com Acupunctura (ou MTC em geral), dividida em quatro grandes grupos: patologias para as quais a MTC demonstrou a sua eficácia e para as quais deveria ser o tratamento principal, patologias para as quais se demonstrou a eficácia mas que necessitam de mais estudos, patologias para as quais parece haver eficácia, mas em que a Acupunctura pode ser usada, sobretudo porque o tratamento convencional também é muito complexo, e finalmente um pequeno grupo de patologias para as quais a Acupunctura pode ser tentada em certas circunstâncias especiais.

Este estudo pode ser consultado aqui:

http://apps.who.int/medicinedocs/en/d/Js4926e/2.html

 

Tratamento-da-Depressão-17

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